Correr a Maratona por moda: A fatura que o corpo paga na recuperação

Correr a Maratona por moda: A fatura que o corpo paga na recuperação

A Maratona do Porto passou e o feed do Instagram inundou-se de medalhas, sorrisos de superação e a clássica hashtag #marathonfinisher. Correr deixou de ser apenas um desporto para se tornar uma declaração de estatuto. Hoje em dia, é cool ser maratonista. É trendy. Mas há um lado desta moda que não aparece nas fotografias: a fatura que o corpo paga nos dias a seguir.

O problema de tratar uma maratona como um desafio de fim de semana é a ilusão de que "com força de vontade, tudo se faz". A força de vontade leva-te à meta, sem dúvida, mas não protege as tuas articulações, não fortalece os teus tendões e não prepara os teus músculos para o impacto de dezenas de milhares de passadas no asfalto.

Quando a adrenalina da prova e os aplausos desaparecem, a realidade bate à porta. Atletas amadores, que saltaram as fases essenciais de volume de treino, deparam-se com uma recuperação brutal. Falamos de incapacidade de descer escadas, inflamações agudas nos joelhos (o famoso joelho de corredor), fascite plantar e um sistema imunitário que entra em colapso devido ao stress extremo, deixando o corpo vulnerável a qualquer constipação.

O corpo humano é uma máquina incrível, mas a distância de 42.195 metros exige respeito profundo. A preparação não se faz apenas a acumular quilómetros; faz-se com reforço muscular, nutrição calculada, hidratação estratégica com o equipamento certo e planeamento tático.

Terminar uma maratona é um feito épico. Mas o verdadeiro sucesso de um atleta não se mede apenas no pórtico de chegada, mede-se na forma como o corpo acorda na segunda-feira seguinte. Correr é para a vida toda, não apenas para os likes de domingo.